Monday, August 9, 2010



Dos portões ressaltando as cores da liberdade em barris tingidos, até à troca de ideias vestidas palavras, derramou-se tempo, onde ele não existia. Como se por entre o que respiramos dentro e vivemos fora não houvessem barreiras, construímos uma utopia desconstruindo preconceitos. Se pudesse dizer-se, ali, de um momento a vida inteira, poderia então uma mão cheia conter o mundo todo. Porque se é no lugar onde a existência de ser quem somos nos transforma, no casulo de vegetação em de-redor, a metamorfose começou dando seus frutos. Debates, teatro, musica, jogos, festa, sorrisos, cinema, procura, partilha e uma gigantesca concomitância de sensações foi o que encontrei no Liberdade que, fazendo jus ao nome, descubro sempre que lá vou.

E no seguimento dessa libertação de ideias e ideais, a explosão dos sentidos alastrou-se no corpo através da música, do ambiente familiar com cheiro a mundo, dos reencontros e da prática dos momentos entre pessoas que se gostam e se descobrem.

Em suma, é inenarrável a forma de como uma semana se comprimiu numa intensidade tal, que valeu por um verão inteiro. E o melhor, o melhor é que as sensações, essas, continuam.

Friday, July 9, 2010

"Devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna até ao fim.”

José Luís Peixoto


E finalmente, começa a transformar-se em tempo.

De uma neblina roçando o dramático e mesmo que ainda (ou enfim) diante uma caminhada que se avizinha longa e complicada, vão surgindo alguns momentos de tranquilidade e paz.

O cansaço, o estreitamento da paciência e até alguma amargura vai-se dissolvendo em pequenas colheradas de doce de framboesa que comecei recentemente a gostar.

Vivo rodeada de tantos detalhes, de circunstâncias que me enriquecem e aos quais não tenho dado importância. Inundo-me tanto de mim própria e dos meus sôfregos sofreres que raramente me dedico verdadeiramente algum tempo, tempo de qualidade. No entanto, nos parêntesis que a rotina diária me tem proporcionado, criou-se felizmente um espaço de um certo contentamento espontâneo, de contenção pessoal, de enriquecimento e descoberta de quem sou e me vou tornando diariamente. Os núcleos que me preenchem tornam-se mais reduzidos, menos expansivos, mas em contrapartida vivo-os com muito mais intensidade. E que seja o que for, como disse uma vez à S., seja lá o que for, o que foi já é, e já é o bastante (ainda que me mantenha uma eterna inconformada - e ainda bem!).

Alegro-me. E dessa alegria, até as soluções que pareciam tão inexistentes vão brotando agora dos silêncios que vou procurando, sozinha.

Vamos então a isso, a estrada foi feita para andar!

Saturday, June 26, 2010

Soulreel
(ex Bossa Nossa)




Grande concerto, porque é interessante ver o progresso, é entusiasmante entrar no vosso ritmo e porque foi, sem dúvida, um excelente estimulo criativo e do imaginário. Metam essas Bobines da Alma a funcionar, estarei à espera dos passos levemente mais altos. Urgem!

Berimbau (de Baden Powell) by SoulReel

(Myspace dos Soulreel: http://www.myspace.com/soulreelsound)

Tuesday, June 1, 2010

A vida é feita de tantos parapeitos.

Senão vejamos a forma de como nos debruçamos sobre ela, complacentes com o que nos traz de novo a cada instante. Da ala oposta da pequena sala onde nos vamos refugiando temos sempre uma visão diferente do que nos vai acontecendo, mesmo que por vezes de tão obtusa a visão nos traga contrariedades, preocupações, inconformações e muitos outros “ões” que nos carreguem ou transportem o tempo todo. Nem sempre bons, mas também nem sempre maus. De facto, a vida tem realmente muitos parapeitos, miradouros por onde debruçar o olhar e desenvencilhar teorias sobre o que é certo ou errado, o que é melhor ou pior, ou simplesmente onde nos podemos maravilhar e aproveitar a vista. Talvez nunca sejamos verdadeiramente conscientes da ambiguidade onde nos movimentamos quotidianamente e da forma de como, mudando o parapeito, podemos mudar também a eloquência com que sentimos as diferentes emoções que nos transportam os momentos. Talvez nem sempre consigamos absorver o “tutano” de tudo o que nos rodeia, nem encarrilar os diferentes significados dos percursos. Mas talvez, de um outro ângulo de visão, ou de outro, ou de outro, ou mesmo de outro, possamos sempre ir melhorando e retocando a pintura que no fim, nos trará o romantismo das coisas simples e o preenchimento do que de melhor formos encontrando nos nossos próprios miradouros.

Hoje, começo a descobrir um outro parapeito sobre o meu mundo e tenho até quem já me diga que muitos mais me esperam no caminho.

Wednesday, May 26, 2010

“Words do not express thoughts very well. They always become a little different immediately after they are expressed, a little distorted, a little foolish.”
Herman Hess

Therefore, and since that sentence describes quite well what I´ve been feeling lately, this blog may need a little rest.

Monday, May 10, 2010

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

Está-me a querer parecer, que está a precisar de ser real!

Sunday, May 9, 2010

Benfica campeão!
Pois é, o Benfica foi campeão. Milhares de adeptos juntaram-se e continuam a juntar-se ao marques de pombal.
Gritam, choram de alegria, levantam os braços e reclamam a vitória como quem pede pão para a boca.
Algum arriscam ainda que não têm medo de uns e de outros e que estão dispostos a dar e levar nas trombas para poderem estar ali, a festejar, a ter provavelmente o momento que consideram de maior alegria no ano inteiro.
Gritam, lutam, levantam os braços e, talvez, levem mesmo nas trombas.
Milhares de benfiquistas cortaram o transito no marquês de pombal, levantaram uma euforia nacional como sempre extraordinária.
Na rua os carros buzinas, as pessoas gritam. Esta noite, quem sabe, muitos bebés serão gerados.

Bem...Porreiro pá! (já dizia o "amigo")

E agora pergunto, quantos é que vão estar presentes no dia 29 de Maio? Quantos é que vão gritar, lutar e arriscar-se a levar nas trombas, para ter direitos?
Quantos é que não se resignarão à imoralidade, ao atentado aos direitos de cada cidadão num estado social e democrático? Quantos se recusarão a não entrar na epopeia ditatorial sem fazer nada?
Quantos vão lutar, não por uma vitória per se, mas pela possibilidade de viver com dignidade? Quantos vão exigir que o cinto não aperte mais para os mesmos?
Quantos vão dizer: Já chega?
Quantos?
Quantos, em última instância, vão manifestar-se para que, no futuro, possam continuar a festejar as suas vitórias na rua?
Vamos ver.
Esperemos que esteja enganada e que as pessoas saibam distinguir entre correr atrás de uma bola, ou correr atrás da própria vida.



Mariana Aiveca.
Com quem também estarei no dia 29.