Saturday, August 29, 2009

Da alçada do meu braço à linha do tronco e da cabeça, cabe uma epopeia de transcrições imponentes, no resumir de emoções enquadradas no mundo que desbobina o meu, irredutivelmente. Os passos, tomam a forma de vozes que desengonçam o eixo das palavras, escamoteando o medo e a vontade, devagarinho. Como se de um súbito pensamento de si próprio, se desencontrassem momentos casuais e tão banais como um caminhar trôpego na descoberta de um beijo envergonhado, num despiste de um aperto de mão junto ao peito, ou mesmo de um rubor escondido na saudade. Como se entre duas linhas que transitam o universo da compreensão alheia, da verdade e da mentira, qualquer coisa pudesse chocar em comoção ou em desalento. E assim, das infinitas possibilidades que mascaram, melhor ou pior, o direito a ser “eu”, nascessem as tais vozes que alarmam consciências e lhes criam barreiras.
Desafiar-me a mim própria, procurando o encanto do que poderia existir para lá dessas transcrições que me cabem no abraço, camufla o miudinho que fica sempre entre o ir e o ficar, entre a vontade de existir e a necessidade de me construir, tão completamente só, enaltecendo o devaneio de ser apenas sendo.
Por isso assumo que sim, muito me escapa na alçada do braço à linha do tronco e da cabeça. Mas por enquanto, ainda não me saquearam a Utopia.

Monday, August 17, 2009

Dias em demanda da consciência. =)

Sunday, June 14, 2009

Sobre a manhã vou-me pondo nas ideias, calcetadas a meu colo. O mundo dispersa-se gingando à minha frente e eu vou agora, mais lúcida, olhando para ele de outros ângulos. No nosso reencontro, percebo que a estrada já não é a mesma, nem as pernas que me levam nela, nem olhos, sobre onde os ponho, nem tão pouco as mãos, desordenadas e desatentas, desencadeiam o mesmo toque. O desejo do crescimento precipita-se num cigarro que desembolso, novamente, do maço que volta a estar na mala e na garganta, na voz. E vem de arrasto o dinamizar de movimentos, a erupção da música e com ela a paz que desejei noutros momentos. Mas vem, desta vez, em silêncio. E em silêncio, vão desabrochando os mais pequenos instantes de vislumbre futuro. Os pequenos instantes do meu próprio reconhecimento, das minhas escolhas, dos meus caminhos, agora, mascarados no corpo que sou hoje, conclusão do que fui ontem.
O tempo passa.
O tempo sempre passa... e o cabisbaixo da cabeça vai-se erguendo, de vez em quando, dando-me outro alento e mais vontade da gigantesca montanha russa que, portuguesmente, vivo por aqui.
Digo que sim, por fim e respiro fundo. Talvez chore, num mergulho qualquer, sem dar por isso.
A vida vive-se agora e agora, aceito essa condição com a sensação de quem sabe que seguir em frente, de mão dada, é o percurso que mais se coaduna com a felicidade.

Sunday, April 26, 2009



Não consigo ficar imune a alguns encantos, este, nomeadamente. De um arrepio sobra a sombra de um abraço, de um grito ao povo, do povo, de uma liberdade sem constrangimentos.
Há momentos que se dissolvem em nós, alastrando-nos ao mundo inteiro. Porque somos muito maiores. Somos maiores que um só e somos um só contendo milhares, com mais força. E se de vez em quando ficamos pequeninos de emoção, outras vezes somos gigantes contra a maré. Haja coragem para nunca esquecer o que podemos ser, se quisermos, se lutarmos por isso, se nos soubermos guiar pelos ideais sem nunca abrir mão deles.
25 de Abril sempre,
Fascismo nunca mais!

Monday, February 9, 2009

There is much more beneath this revolution. There’s more than blood, more than skin, more than flesh, there’s much more than words, more than places, persons and connections.
Beneath this revolution of growing up, finding our purposes, our feelings, ourselves, there’s a sense of peace and freedom, there’s the quiet place of belonging, and the restless moments of searching, of trying, failing (better), becoming what we hopped to be, building new ideals, fulfilling old ones, being closer to “the future”, feeling it warmer and closer to the definition of happiness.
This revolution, bigger than me, this revolution called life, takes place somewhere in between the shadow of a growing tree and the never ending trail of an ant, survives in the details of everyday morning and night, grows in a smile and in the comfort of a tear inside of a trustworthy embrace.
Being in peace does not result from chance.

Just a though.

Thursday, January 15, 2009

E assim se passou uma semana...
Assim, muitas coisas mudam.

Monday, January 5, 2009


Tal como disse a algumas pessoas, provavelmente a todas que aqui visitam com alguma regularidade, este ano resolvi não fazer reflexões de fim de ano. Não me apetece!
Prefiro fazer um brinde ao que descobri e/ou redescobri este ano!

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Um brinde à ternura dos gestos entre amigos, namorados, pais, filhos, irmãos, todos os que se gostam;
Um brinde às palavras que enchem o peito, quando a distância interpõe a saudade;
Um brinde também ao que essa distância não derruba;
Um brinde às vitórias;
Um brinde às derrotas que nos fazem aprender;
Um brinde às tomadas de posição que fazem de nós alguém mais completo;
Um brinde à coragem de gostar sem fronteiras;
Um brinde à descoberta diária, aos pormenores da rua e das pessoas quotidianas;
Um brinde aos sorrisos que se descobrem na mesma pessoa, depois de tantos anos;
Um brinde aos “cantos de silêncio”;
Um brinde às cartas:
Um brinde à troca de olhares que arrepiam:
Um brinde à honestidade;
Um brinde à ousadia maior;
Um brinde à espontaneidade;
Um brinde à perseverança:
Um brinde aos livros que nos revelam, à musica que nos descobre, ao cinema que nos comove, ao teatro que nos derruba, um brinde à arte;
Um brinde aos novos encontros;
Um brinde a quem partilha silêncios confortáveis;
Um brinde à psicologia;
Um brinde ao socialismo;
Um brinde à revolução de ideias e ideais;
Um brinde à necessidade de procura e à conquista;
Um brinde aos poetas;
Um brinde ao romantismo;
Um brinde à utopia, aos sonhos;
Um brinde a tudo o que nos vem dentro e faz de nós pessoas mais felizes:
Um brinde ao amor:
Um brinde a nós;
Um brinde à vida e à vontade de viver!


Bom ano a todos, façamos por isso!