Saturday, April 24, 2010

[Paradigma]

As vezes... as vezes fico mesmo sem saber o que dizer.
Podia ser tudo mais simples, na inexistência do pensamento. Mas tal como dizia Pessoa, felizes dos que se abstêm da máquina da racionalidade, sendo felizes na sua própria infelicidade. É talvez uma das maiores angústias, a certeza da incerteza do pensamento. Uma das maiores frustrações. Não me refiro ao pensar da razão kantiana, mas da projecção das nossas dúvidas teóricas em relação a questões práticas do quotidiano. Não saber agir sobre as infinitas possibilidades de um acto, de uma decisão que causa ruptura. A fragilidade inerente a sermos nós próprios é sempre de dificil digestão e por isso mesmo, vamos mastigando os pormenores da vida como se não fossem nada, como se neles não coubessem, tantas vezes, as verdadeiras motivações para estar vivo. E ai outra questão, da vivência à sobrevivência vão apenas dois segundos, mais vezes que o desejável, ou até mesmo sempre. E nessa ténue diferença não existe resitência suficiente para ser frágil e ser inteiro, para ter medo e até para não o ter.
Os paradigmas ganham força e propiciam o caos.
De facto, então, há mesmo alturas em que não sei bem o que dizer. Não porque não haja nada a conversar, ou a falar, mas talvez precisamente por haver tudo. E na multidão de pensamentos, palavras e sentires, não é fácil encontrar os unicos que devem ser encontrados, deixando perder todos os outros.
Não é fácil ser-se gente, entre gente. Não é facil ser-se sozinho. É dificil sermos nós próprios.

Monday, April 19, 2010

Sunday, March 7, 2010



Em Lisboa,

Que parecia explodir contornos, afrouxaram-se os limites e permitiu-se, mais uma vez, a liberdade de emoções que só nela sabem existir. De alguns momentos mais frios, trouxe-nos o quente dos abraços, dos afagos entre braços que são muito mais do que braços. Menina e moça que desagua em pormenores nos rostos encostados à brisa do miradouro, do chocolate que, de tão quente, devagarinho, vem desabotoando os arrepios trazidos por qualquer outra coisa que não o preenchimento. E é em tardes assim, pela calçada, nos elevadores, na redescoberta dos mesmos [sempre diferentes] lugares, sobre bombas de cores na cidade, que se constroem as memórias que saem do simbólico, para formar o abstracto que faz arte da racionalidade quotidiana de tantas vezes. É bom ter dias assim. Dias que são muito mais do que horas, dias que são quase pessoas que trazemos dentro e nos ampliam.





Obrigada pela partilha!...

Sunday, February 28, 2010

Nós, seres Humanos, temos mecanismos mentais tramados.
É incrivel percebê-los, de vez em quando, muito dificil assumi-los, quase sempre.

Curious, though.

Monday, February 15, 2010

Hoje, enquanto estava a fumar um cigarro no estágio, sozinha porque tive de ficar a tratar de umas merdas que não fiz no fim-de-semana, apercebi-me de algumas coisas importantes. Andamos constantemente às voltas, dos outros, do mundo, de nós próprios...à procura de qualquer coisa que torne os nossos dias mais completos (entretanto acabei por ler sobre isso aqui também), devorando perspectivas, resoluções, perguntas, ângulos de visão... eu própria muitas vezes me coloco nesse mecanismo, invariavelmente engatado, de trabalhar as minhas próprias sensações de uma perspectiva pouco construtiva. E nesse seguimento, são várias as vezes que dou por mim insatisfeita, revoltada e as vezes até, bastante triste.
Actualmente não é o caso!
Decidi no início de 2010 que não teria medo de tomar decisões difíceis, que não iria deixar de fazer aquilo que me fizesse sentir bem (ok, com algum bom senso) só porque era mais fácil. E fico contente por sentir que até agora, o balanço é positivo.
As vezes é mesmo preciso por para trás o passado e dar uma oportunidade ao presente e ao futuro. Peço desculpa pelas palavras, mas fodasse, está mais do que na hora de haver mais egocentrismo na minha perspectiva de percurso.
Durante esse cigarro então, seguido de uma ridicula conversa sobre samba com a Marta (lá do estágio), percebi que estou mesmo feliz. Eu sei que me queixo bastante, acredito ser meio hipocondríaca, emocionalmente pelo menos, mas a verdade é mesmo esta.
Sinto-me realizada, profissional, emocional e politicamente(há que realçar).
Não, não quer dizer que já não há nada a fazer, pelo contrário. Sinto apenas que estou no bom caminho, ou melhor, sinto que há mesmo um caminho!
Pode durar pouco tempo, pode durar muito... mas o que é certo é que agora, não queria estar de outra forma!

Com esta epifânia carnavalesca me despeço e no entretanto, fica uma foto do meu irmão, que anda a aproveitar o carnaval, já que eu não posso! (Ups! Lá está a hipocondria...)

Monday, February 1, 2010

Estou cansada.
Estou completamente falida.
Tenho uma multa de 120€ pra pagar.

Mas o mais importante é que, hoje, hoje estou feliz! =)

Tuesday, January 19, 2010

Hoje, quando à beira de um ataque de nervos, chego à conclusão absoluta de que, a politica na minha casa é a seguinte: Não se sabe o que é? Vai pro lixo! Não se gosta de algo de um outro membro da familia? Vai pro lixo! Se há sacos aparentemente vazios, não se confirma e vai tudo pro lixo! And so on...
Nesta brincadeira já vi roupa e assessórios meus a desaparecerem, bilhetes de concertos a irem para a reciclagem, comida comprada no dia anterior a ir para o caixote, por se pensar que estava lá há muito tempo, etc etc etc...

Neste ambiente, confesso que a sanidade não é possivel por muito mais tempo!