Monday, February 15, 2010

Hoje, enquanto estava a fumar um cigarro no estágio, sozinha porque tive de ficar a tratar de umas merdas que não fiz no fim-de-semana, apercebi-me de algumas coisas importantes. Andamos constantemente às voltas, dos outros, do mundo, de nós próprios...à procura de qualquer coisa que torne os nossos dias mais completos (entretanto acabei por ler sobre isso aqui também), devorando perspectivas, resoluções, perguntas, ângulos de visão... eu própria muitas vezes me coloco nesse mecanismo, invariavelmente engatado, de trabalhar as minhas próprias sensações de uma perspectiva pouco construtiva. E nesse seguimento, são várias as vezes que dou por mim insatisfeita, revoltada e as vezes até, bastante triste.
Actualmente não é o caso!
Decidi no início de 2010 que não teria medo de tomar decisões difíceis, que não iria deixar de fazer aquilo que me fizesse sentir bem (ok, com algum bom senso) só porque era mais fácil. E fico contente por sentir que até agora, o balanço é positivo.
As vezes é mesmo preciso por para trás o passado e dar uma oportunidade ao presente e ao futuro. Peço desculpa pelas palavras, mas fodasse, está mais do que na hora de haver mais egocentrismo na minha perspectiva de percurso.
Durante esse cigarro então, seguido de uma ridicula conversa sobre samba com a Marta (lá do estágio), percebi que estou mesmo feliz. Eu sei que me queixo bastante, acredito ser meio hipocondríaca, emocionalmente pelo menos, mas a verdade é mesmo esta.
Sinto-me realizada, profissional, emocional e politicamente(há que realçar).
Não, não quer dizer que já não há nada a fazer, pelo contrário. Sinto apenas que estou no bom caminho, ou melhor, sinto que há mesmo um caminho!
Pode durar pouco tempo, pode durar muito... mas o que é certo é que agora, não queria estar de outra forma!

Com esta epifânia carnavalesca me despeço e no entretanto, fica uma foto do meu irmão, que anda a aproveitar o carnaval, já que eu não posso! (Ups! Lá está a hipocondria...)

Monday, February 1, 2010

Estou cansada.
Estou completamente falida.
Tenho uma multa de 120€ pra pagar.

Mas o mais importante é que, hoje, hoje estou feliz! =)

Tuesday, January 19, 2010

Hoje, quando à beira de um ataque de nervos, chego à conclusão absoluta de que, a politica na minha casa é a seguinte: Não se sabe o que é? Vai pro lixo! Não se gosta de algo de um outro membro da familia? Vai pro lixo! Se há sacos aparentemente vazios, não se confirma e vai tudo pro lixo! And so on...
Nesta brincadeira já vi roupa e assessórios meus a desaparecerem, bilhetes de concertos a irem para a reciclagem, comida comprada no dia anterior a ir para o caixote, por se pensar que estava lá há muito tempo, etc etc etc...

Neste ambiente, confesso que a sanidade não é possivel por muito mais tempo!

Sunday, January 10, 2010

Tinham-me dito que escrevesse.
Afinal... eu escrevo sempre. Sempre argumentei que me fazia sentir menos vazia, em antítese com o despejo de palavras. E que ironia essa a das palavras. Valem tanto e não significam merda nenhuma. Palavras, aquelas q destroem mundos, ainda assim, são só palavras. Em cada rebentamento, que vai erodindo o cansaço e o desconforto, subtilmente esconde também a vontade e o alento. Tenho conversado sobre nós – seres humanos – e da nossa condição enquanto seres de rotinas. Não forçosamente porque morreríamos sem uma, mas porque, afinal, morreríamos sem uma! Todos as temos, sejam elas de que tipo forem. Lidar com o nosso egoísmo, ou com a nossa necessidade de sermos quem somos, que se confunde pelo mesmo tantas vezes (e que talvez o seja mesmo), coloca-nos muitas vezes nas antípodas do senso comum social, ou da expectativa comum parcial. Ou seja lá o que for. Seja lá o que formos.
Alguns dizem-me, reconfortados na sua posição do “calo” da velhice, que isto é crescer, amadurecer... que é como quem diz, perder o animo, sentar, aceitar, e confortavelmente puxar a corda do destino para que seja o que tiver de ser. Quanto a isso, bom, já dizia o meu amigo Hess que o acaso só existe na medida em que somos nós que o criamos com as nossas acções. Portanto, ao não fazer nada, o acaso inevitavelmente conduzir-nos-á precisamente até ao mesmo redundante vazio.
Assim sendo, prefiro andar, beber cafés Nicola, e tornar cada dia, um dia!
Se pudesse pedir um desejo, como começo de ano, quereria um “momento molhado”, que nas palavras de uma amiga significa “Eureka!”. Ao não ser possível, limito-me a continuar a não puxar a corda... e de resto, que se foda!

Wednesday, December 23, 2009

conversa aleatoria...

- Não estás a perceber! Eu vou para um BUM gigante, confusão, alucinação, loucura (mas naquele sentido esquisito!) um p´raqui outro prá´li, zim BUM, PUM!|... e depois... depois é um grande vazio, sozinha.

- Pois...e depois vais para outro vazio igual.

- Vou?

- Sim então não vais?

- Ahhhh! Esse? Ohh.. mas esse não, esse é um vazio que enche!

Wednesday, December 2, 2009

O toque do telefone abafou o ar que inundava uma sala vazia.
[Vazia de sons, que não os do pensamento].
De uma fala diferente, uma que ninguém entendia, rasgavam-se vontades como sonhos em papel cavalinho pintado. De vários tons, com diferentes tamanhos e formas de pincelada, desaguavam conversas em concertos de silêncio, partilhas de outras alturas, encontros da actualidade e até algumas circunstâncias do que era e do que sou agora. E no aglomerado de sensações em forma de causa e consequência de uma ausência de palavras, os sons comuns voltaram em forma de música com Bertolt Brecht & Kurt Weill. De um não lugar, só meu, tantos outros se juntaram, e a força da poesia na voz de uma Russo, subestimou o encontro da noite e trouxe-lhe outro alento. Hoje, nesta concomitância entre o vazio e o cheio, vou dormir bem e vou sonhar contigo.



Fica aqui um pedacinho do que de fantastico se faz no Imaginário. Interpretado por Susana Russo. Autoria de Kurt Weill & Bertolt Brecht

Sunday, November 8, 2009

À descoberta do que por Lisboa se exalta, em cada canto, deparo-me constantemente com o paradigma do tempo e do que faz ás pessoas, assim como do que as pessoas fazem dele. E assim, com a musica dissolvida nos pensamentos, observando o mundo que se exalta, como que se girando sobre ele, todas as metáforas e adjectivos se perdem pelos apelos à memória e à poesia das palavras - raramente conclusivas mas quase sempre desconstruindo ideias encastradas nesse [pre]conceito.
Facilmente a conversa de um passo ao outro, de um espaço ao outro, de um momento descoberto noutro, me abstrai da racionalidade do movimento e me faz perceber todo o corpo no compasso da melodia. No mesmo ritmo de ideias, também as expectativas dos outros, minhas e elas próprias enquanto conceito, gingam arrastadas de dentro para fora, pelo piano que apressa o violino e também a mim.
Subitamente, um quotidiano feito em musica, desliga o padrão de vivências, o diagnóstico de futuro e vai de encontro ao espaço onde a magia de viver e estar vivo se vale da oportunidade do que é simples, como as folhas que caem castanhas no Outono, do sopro forte do vento no rosto e do nascimento primaveril, noutros rumos, numa nova perspectiva de nós próprios e de outros sons que emanam o inconformismo e o processo de ruptura com quem somos, constantemente.

O mundo solto nos compassos maestrados, não é estanque e de tão magnífico, permite-se à mudança.