No inicio deste ano, impus a mim mesma uma única coisa: Não terei medo de tomar decisões difíceis.
No entretanto, já pensei em fazer listas de pormenores que quero ver concretizados este ano, mas rapidamente desisti da ideia. Não, realmente só quero uma coisa, não ter medo de tomar decisões difíceis, mesmo que me doam muito, mesmo que quase me sinta perder, que quase me sinta cair irremediavelmente. Não terei medo de tomar decisões, mesmo que causem ruptura, se me fizerem ir de encontro a mim mesma.
Um amigo hoje dizia-me o quão bom seria poder falar, simplesmente falar sobre o que nos vem dentro, sem ter medo das consequências. Falar, falar, falar e depois logo se via "Ás vezes podíamos ser peixes...sem cérebro e sem super ego, que respondessem ao movimento do tubarão ou dos outros peixinhos!", dizia-me ele.
De facto, já dei por mim a ensaiar tanta raiva no superego. A pensar na forma de como o detesto, de como me faz engolir tantas sensações em prole do silêncio (E como o silêncio pode ser tão agressivo de vez em quando!). E ao mesmo tempo, vejo-me tantas vezes a procurá-lo, a desejá-lo no movimento do corpo na música, entornando copos meio-vazios. Vejo-me tantas vezes à procura do esquecimento, ainda que impossível.
Nós seres humanos, somos sem dúvida seres que roçam facilmente o ridículo, afinal, "ao fim de 1 dia ou uma hora...tudo podia mudar e ser diferente". Mas preferimos manter-nos tantas vezes assim, à deriva.
Por outro lado, outras vezes, temos gestos de ternura que fazem valer a pena todos esses silêncios, todos esses momentos em que nada é diferente. Agora mesmo, o meu pai ofereceu-me um livro ilustrado de um poema do Sérgio Godinho, e na primeira pagina escreveu simplesmente: "Para que nunca te esqueças da importância dos pormenores, vive atenta".
Já escrevia eu noutras alturas que era no A entre o amor e o adeus que vivia a nossa maior contenda.
Seja como for, quero viver atenta, não alienada de quem sou e do que desejo.
Por isso, hoje, amanhã, no futuro, não terei medo de tomar decisões difíceis.
Sunday, May 2, 2010
Saturday, April 24, 2010
[Paradigma]
As vezes... as vezes fico mesmo sem saber o que dizer.
Podia ser tudo mais simples, na inexistência do pensamento. Mas tal como dizia Pessoa, felizes dos que se abstêm da máquina da racionalidade, sendo felizes na sua própria infelicidade. É talvez uma das maiores angústias, a certeza da incerteza do pensamento. Uma das maiores frustrações. Não me refiro ao pensar da razão kantiana, mas da projecção das nossas dúvidas teóricas em relação a questões práticas do quotidiano. Não saber agir sobre as infinitas possibilidades de um acto, de uma decisão que causa ruptura. A fragilidade inerente a sermos nós próprios é sempre de dificil digestão e por isso mesmo, vamos mastigando os pormenores da vida como se não fossem nada, como se neles não coubessem, tantas vezes, as verdadeiras motivações para estar vivo. E ai outra questão, da vivência à sobrevivência vão apenas dois segundos, mais vezes que o desejável, ou até mesmo sempre. E nessa ténue diferença não existe resitência suficiente para ser frágil e ser inteiro, para ter medo e até para não o ter.
Os paradigmas ganham força e propiciam o caos.
De facto, então, há mesmo alturas em que não sei bem o que dizer. Não porque não haja nada a conversar, ou a falar, mas talvez precisamente por haver tudo. E na multidão de pensamentos, palavras e sentires, não é fácil encontrar os unicos que devem ser encontrados, deixando perder todos os outros.
Não é fácil ser-se gente, entre gente. Não é facil ser-se sozinho. É dificil sermos nós próprios.
As vezes... as vezes fico mesmo sem saber o que dizer.Podia ser tudo mais simples, na inexistência do pensamento. Mas tal como dizia Pessoa, felizes dos que se abstêm da máquina da racionalidade, sendo felizes na sua própria infelicidade. É talvez uma das maiores angústias, a certeza da incerteza do pensamento. Uma das maiores frustrações. Não me refiro ao pensar da razão kantiana, mas da projecção das nossas dúvidas teóricas em relação a questões práticas do quotidiano. Não saber agir sobre as infinitas possibilidades de um acto, de uma decisão que causa ruptura. A fragilidade inerente a sermos nós próprios é sempre de dificil digestão e por isso mesmo, vamos mastigando os pormenores da vida como se não fossem nada, como se neles não coubessem, tantas vezes, as verdadeiras motivações para estar vivo. E ai outra questão, da vivência à sobrevivência vão apenas dois segundos, mais vezes que o desejável, ou até mesmo sempre. E nessa ténue diferença não existe resitência suficiente para ser frágil e ser inteiro, para ter medo e até para não o ter.
Os paradigmas ganham força e propiciam o caos.
De facto, então, há mesmo alturas em que não sei bem o que dizer. Não porque não haja nada a conversar, ou a falar, mas talvez precisamente por haver tudo. E na multidão de pensamentos, palavras e sentires, não é fácil encontrar os unicos que devem ser encontrados, deixando perder todos os outros.
Não é fácil ser-se gente, entre gente. Não é facil ser-se sozinho. É dificil sermos nós próprios.
Monday, April 19, 2010
Sunday, March 7, 2010
Em Lisboa,
Obrigada pela partilha!...
Sunday, February 28, 2010
Monday, February 15, 2010
Hoje, enquanto estava a fumar um cigarro no estágio, sozinha porque tive de ficar a tratar de umas merdas que não fiz no fim-de-semana, apercebi-me de algumas coisas importantes. Andamos constantemente às voltas, dos outros, do mundo, de nós próprios...à procura de qualquer coisa que torne os nossos dias mais completos (entretanto acabei por ler sobre isso aqui também), devorando perspectivas, resoluções, perguntas, ângulos de visão... eu própria muitas vezes me coloco nesse mecanismo, invariavelmente engatado, de trabalhar as minhas próprias sensações de uma perspectiva pouco construtiva. E nesse seguimento, são várias as vezes que dou por mim insatisfeita, revoltada e as vezes até, bastante triste.
Actualmente não é o caso!
Decidi no início de 2010 que não teria medo de tomar decisões difíceis, que não iria deixar de fazer aquilo que me fizesse sentir bem (ok, com algum bom senso) só porque era mais fácil. E fico contente por sentir que até agora, o balanço é positivo.
As vezes é mesmo preciso por para trás o passado e dar uma oportunidade ao presente e ao futuro. Peço desculpa pelas palavras, mas fodasse, está mais do que na hora de haver mais egocentrismo na minha perspectiva de percurso.
Durante esse cigarro então, seguido de uma ridicula conversa sobre samba com a Marta (lá do estágio), percebi que estou mesmo feliz. Eu sei que me queixo bastante, acredito ser meio hipocondríaca, emocionalmente pelo menos, mas a verdade é mesmo esta.
Sinto-me realizada, profissional, emocional e politicamente(há que realçar).
Não, não quer dizer que já não há nada a fazer, pelo contrário. Sinto apenas que estou no bom caminho, ou melhor, sinto que há mesmo um caminho!
Pode durar pouco tempo, pode durar muito... mas o que é certo é que agora, não queria estar de outra forma!
Com esta epifânia carnavalesca me despeço e no entretanto, fica uma foto do meu irmão, que anda a aproveitar o carnaval, já que eu não posso! (Ups! Lá está a hipocondria...)
Actualmente não é o caso!
Decidi no início de 2010 que não teria medo de tomar decisões difíceis, que não iria deixar de fazer aquilo que me fizesse sentir bem (ok, com algum bom senso) só porque era mais fácil. E fico contente por sentir que até agora, o balanço é positivo.
As vezes é mesmo preciso por para trás o passado e dar uma oportunidade ao presente e ao futuro. Peço desculpa pelas palavras, mas fodasse, está mais do que na hora de haver mais egocentrismo na minha perspectiva de percurso.
Durante esse cigarro então, seguido de uma ridicula conversa sobre samba com a Marta (lá do estágio), percebi que estou mesmo feliz. Eu sei que me queixo bastante, acredito ser meio hipocondríaca, emocionalmente pelo menos, mas a verdade é mesmo esta.
Sinto-me realizada, profissional, emocional e politicamente(há que realçar).
Não, não quer dizer que já não há nada a fazer, pelo contrário. Sinto apenas que estou no bom caminho, ou melhor, sinto que há mesmo um caminho!
Pode durar pouco tempo, pode durar muito... mas o que é certo é que agora, não queria estar de outra forma!
Com esta epifânia carnavalesca me despeço e no entretanto, fica uma foto do meu irmão, que anda a aproveitar o carnaval, já que eu não posso! (Ups! Lá está a hipocondria...)
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