Quando era mais nova, tinha o hábito de fazer pastas para guardar todas as recordações de cada viagem... Guarda, Santiago, Salamanca, Túnisia, etc. Sabia-me bem rever tudo o que passei em cada guardanapo, cartão de restaurante, panfleto, mapa, bilhete de museu ou espectáculo, fotografia e até sabonetes dos hotéis. Como era tonta com essas coisas. Hoje, enquanto arrumava o quarto, encontrei algumas dessas pastas, perdidas numa gaveta cheia de outras porcarias, como se tudo aquilo não valesse nada. Sorri e dei algumas gargalhadas. Não sei se fiquei contente, se somente triste, por ter perdido alguma dessa vontade de agarrar as coisas simples. Mas ao mesmo tempo reconheci que nada pode ficar igual, nem imutável, com a passagem do tempo. Seja como for, há momentos, que mesmo sabendo que não os vamos poder viver novamente da mesma forma, podemos recordar e guardar com carinho. Com isto, numa dessas gavetas intemporais, encontrei o resumo de um conto, escrito, algures por Santiago de Compostela. Procurei melhor na gaveta, e encontrei o conto inteiro. E porque este blog é também uma pequena caixa de recordações, que partilho convosco, meus amigos, resolvi escrever aqui então, o que dizia esse resumo!Contraste, de nós (é como se chama o conto)
O mundo cerca-nos de emoções e situações novas, todos os dias, a todo o instante. Estas, por sua vez, diferem entre si, sobretudo na importância que lhes atribuímos e nas marcas que nos deixam, ao longo do tempo. Este conto retracta, por isso mesmo, o relevo dessas marcas, através da história de um encontro breve, entre duas pessoas, antagónicas entre si e na significância dada ao momento da sua união, bem como na forma como ela influenciará o resto das suas vidas.
Contraste, de nós, é portanto uma narrativa sobre o amor e a solidão de um encontro, reflectido numa concomitância de sensações e limitações do seu posterior desencontro.
Trata-se de uma reflexão a duas vozes, sobre o vácuo das ausências e a forma de como essas lacunas podem ecoar de forma completamente diferente, entre duas pessoas, que sendo estranhas uma para a outra, se procuram, desesperadamente.
Melhor do que partir, é ter para onde ou a quem voltar...
Na foto, Ana Diegues e Custódio Nunes. Só porque achei que cabia no conto, assim como no blog.