Tuesday, June 1, 2010

A vida é feita de tantos parapeitos.

Senão vejamos a forma de como nos debruçamos sobre ela, complacentes com o que nos traz de novo a cada instante. Da ala oposta da pequena sala onde nos vamos refugiando temos sempre uma visão diferente do que nos vai acontecendo, mesmo que por vezes de tão obtusa a visão nos traga contrariedades, preocupações, inconformações e muitos outros “ões” que nos carreguem ou transportem o tempo todo. Nem sempre bons, mas também nem sempre maus. De facto, a vida tem realmente muitos parapeitos, miradouros por onde debruçar o olhar e desenvencilhar teorias sobre o que é certo ou errado, o que é melhor ou pior, ou simplesmente onde nos podemos maravilhar e aproveitar a vista. Talvez nunca sejamos verdadeiramente conscientes da ambiguidade onde nos movimentamos quotidianamente e da forma de como, mudando o parapeito, podemos mudar também a eloquência com que sentimos as diferentes emoções que nos transportam os momentos. Talvez nem sempre consigamos absorver o “tutano” de tudo o que nos rodeia, nem encarrilar os diferentes significados dos percursos. Mas talvez, de um outro ângulo de visão, ou de outro, ou de outro, ou mesmo de outro, possamos sempre ir melhorando e retocando a pintura que no fim, nos trará o romantismo das coisas simples e o preenchimento do que de melhor formos encontrando nos nossos próprios miradouros.

Hoje, começo a descobrir um outro parapeito sobre o meu mundo e tenho até quem já me diga que muitos mais me esperam no caminho.

Wednesday, May 26, 2010

“Words do not express thoughts very well. They always become a little different immediately after they are expressed, a little distorted, a little foolish.”
Herman Hess

Therefore, and since that sentence describes quite well what I´ve been feeling lately, this blog may need a little rest.

Monday, May 10, 2010

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

Está-me a querer parecer, que está a precisar de ser real!

Sunday, May 9, 2010

Benfica campeão!
Pois é, o Benfica foi campeão. Milhares de adeptos juntaram-se e continuam a juntar-se ao marques de pombal.
Gritam, choram de alegria, levantam os braços e reclamam a vitória como quem pede pão para a boca.
Algum arriscam ainda que não têm medo de uns e de outros e que estão dispostos a dar e levar nas trombas para poderem estar ali, a festejar, a ter provavelmente o momento que consideram de maior alegria no ano inteiro.
Gritam, lutam, levantam os braços e, talvez, levem mesmo nas trombas.
Milhares de benfiquistas cortaram o transito no marquês de pombal, levantaram uma euforia nacional como sempre extraordinária.
Na rua os carros buzinas, as pessoas gritam. Esta noite, quem sabe, muitos bebés serão gerados.

Bem...Porreiro pá! (já dizia o "amigo")

E agora pergunto, quantos é que vão estar presentes no dia 29 de Maio? Quantos é que vão gritar, lutar e arriscar-se a levar nas trombas, para ter direitos?
Quantos é que não se resignarão à imoralidade, ao atentado aos direitos de cada cidadão num estado social e democrático? Quantos se recusarão a não entrar na epopeia ditatorial sem fazer nada?
Quantos vão lutar, não por uma vitória per se, mas pela possibilidade de viver com dignidade? Quantos vão exigir que o cinto não aperte mais para os mesmos?
Quantos vão dizer: Já chega?
Quantos?
Quantos, em última instância, vão manifestar-se para que, no futuro, possam continuar a festejar as suas vitórias na rua?
Vamos ver.
Esperemos que esteja enganada e que as pessoas saibam distinguir entre correr atrás de uma bola, ou correr atrás da própria vida.



Mariana Aiveca.
Com quem também estarei no dia 29.

Sunday, May 2, 2010

No inicio deste ano, impus a mim mesma uma única coisa: Não terei medo de tomar decisões difíceis.
No entretanto, já pensei em fazer listas de pormenores que quero ver concretizados este ano, mas rapidamente desisti da ideia. Não, realmente só quero uma coisa, não ter medo de tomar decisões difíceis, mesmo que me doam muito, mesmo que quase me sinta perder, que quase me sinta cair irremediavelmente. Não terei medo de tomar decisões, mesmo que causem ruptura, se me fizerem ir de encontro a mim mesma.
Um amigo hoje dizia-me o quão bom seria poder falar, simplesmente falar sobre o que nos vem dentro, sem ter medo das consequências. Falar, falar, falar e depois logo se via "Ás vezes podíamos ser peixes...sem cérebro e sem super ego, que respondessem ao movimento do tubarão ou dos outros peixinhos!", dizia-me ele.

De facto, já dei por mim a ensaiar tanta raiva no superego. A pensar na forma de como o detesto, de como me faz engolir tantas sensações em prole do silêncio (E como o silêncio pode ser tão agressivo de vez em quando!). E ao mesmo tempo, vejo-me tantas vezes a procurá-lo, a desejá-lo no movimento do corpo na música, entornando copos meio-vazios. Vejo-me tantas vezes à procura do esquecimento, ainda que impossível.

Nós seres humanos, somos sem dúvida seres que roçam facilmente o ridículo, afinal, "ao fim de 1 dia ou uma hora...tudo podia mudar e ser diferente". Mas preferimos manter-nos tantas vezes assim, à deriva.
Por outro lado, outras vezes, temos gestos de ternura que fazem valer a pena todos esses silêncios, todos esses momentos em que nada é diferente. Agora mesmo, o meu pai ofereceu-me um livro ilustrado de um poema do Sérgio Godinho, e na primeira pagina escreveu simplesmente: "Para que nunca te esqueças da importância dos pormenores, vive atenta".

Já escrevia eu noutras alturas que era no A entre o amor e o adeus que vivia a nossa maior contenda.
Seja como for, quero viver atenta, não alienada de quem sou e do que desejo.
Por isso, hoje, amanhã, no futuro, não terei medo de tomar decisões difíceis.

Saturday, April 24, 2010

[Paradigma]

As vezes... as vezes fico mesmo sem saber o que dizer.
Podia ser tudo mais simples, na inexistência do pensamento. Mas tal como dizia Pessoa, felizes dos que se abstêm da máquina da racionalidade, sendo felizes na sua própria infelicidade. É talvez uma das maiores angústias, a certeza da incerteza do pensamento. Uma das maiores frustrações. Não me refiro ao pensar da razão kantiana, mas da projecção das nossas dúvidas teóricas em relação a questões práticas do quotidiano. Não saber agir sobre as infinitas possibilidades de um acto, de uma decisão que causa ruptura. A fragilidade inerente a sermos nós próprios é sempre de dificil digestão e por isso mesmo, vamos mastigando os pormenores da vida como se não fossem nada, como se neles não coubessem, tantas vezes, as verdadeiras motivações para estar vivo. E ai outra questão, da vivência à sobrevivência vão apenas dois segundos, mais vezes que o desejável, ou até mesmo sempre. E nessa ténue diferença não existe resitência suficiente para ser frágil e ser inteiro, para ter medo e até para não o ter.
Os paradigmas ganham força e propiciam o caos.
De facto, então, há mesmo alturas em que não sei bem o que dizer. Não porque não haja nada a conversar, ou a falar, mas talvez precisamente por haver tudo. E na multidão de pensamentos, palavras e sentires, não é fácil encontrar os unicos que devem ser encontrados, deixando perder todos os outros.
Não é fácil ser-se gente, entre gente. Não é facil ser-se sozinho. É dificil sermos nós próprios.

Monday, April 19, 2010