"Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better." Samuel Beckett
Tuesday, January 29, 2008
"Who we are is a product of our history. Everything that we are now is on account of everything that happened to us. But everything that happened to us perhaps did not help us to be who we really are. Perhaps it taught us to be like the world wants you to be and not how you really are."
Albert Pesso
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Tão básico, e tão verdade.
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Seja como for, na dúvida,
Que importância tem, o que não importa?!
Não é simples ser diferente, é verdade, mas quase sempre é menos dificil quando somos iguais a nós próprios.
Sunday, January 20, 2008
...nessa dicotomia entre a força e vontade, vai-se consolidando o segredo e um mistério...
...a sobrevivência de borboletas, que vivem, algures, entre o estômago e o resto do corpo .
Sunday, January 13, 2008
. ..monocromático
sensações misturadas pelo entardecer nos corpos, deitados. invasão. não há distância que os aproxime, nem proximidade que os retenha juntos. não há festas, nem sequer há balões. não há silêncios nem conversa, há ruídos de cerimónia, sem entoação ou balanço. não há movimento além do monocórdico encontro das palmas brancas das mãos, uma na outra. não há vazio nem há espaço. há uma vertigem de encontro, um desatino de dor e euforia no olhar. um abismo e a plenitude. há desilusão e há rancor. há amantes que não se amam e quem se ame sem sequer se amar. há o tempo de morte e o tempo de vida. há um nós pelo meio e uma solidão em cada ponta. há um versículo de historias por contar e viver. há a movida da rua e o vento nos cantos da casa e no exercício do lençol. há uma relativa vontade, uma premissa de orgulho num consequente desiquilibrado e insatisfeito. razão. há a emotividade que se escasseia na intensidade do toque, nos cabelos. há um adormecer que não dorme e um acordar que não desperta. há a rotina. há o calar. há um adeus que se cumprimenta. não há perguntas. não há respostas. há uma premissa de ser humano no umbigo e no fechar do horizonte. há um queimar que já nem queima. um gelo, que já não gela. há um instante e depois, já não há nada. ainda há tudo.
Thursday, January 10, 2008
Turbilhão
As vezes, sou só eu e a estrada. Eu e os pensamentos e ideias, eu e as emoções na pele e na musica que grita mais fundo. Sou eu e o acelerador de memórias, de reflexões, da concomitância da vida; sou eu e o acelerador do carro, que não quer travar e não trava, nem os pneus nem os percursos e o desafio que oferecem, nem sequer as palavras, nem sequer o silêncio. Afinal, a verdade é que as aparências iludem e escondem muita coisa. Camuflam identidades, carácter e personalidade; tapam inseguranças e tanto medo; guardam pessoas, fecham-nas, emparedadas no tempo perdido. Há momentos e pessoas que nos projectam e em quem nos projectamos desmedidamente, que nos guardam, onde as guardamos e onde se despem as representações do figurino, ficando nuas, cruas, irrelevantes. Nesse instante, então, pessoas e momentos tornam-se somente pessoas e momentos, descompensam-se as defesas e transbordam-se limites que, pela sua nudez, deixam de existir com clareza. Um sujeito é um mundo, o seu, e o nosso. E na verdade somos todos um pouco uns dos outros, mesmo sem nunca pertencer a ninguém. A figura do estranho avizinha-se querida, quando o estranho maior somos nós. E é nestas alturas que os olhos se fecham somente para se abrirem e notarem que, afinal, já não sou só eu e a estrada, e o travão pesou mais que o resto do caminho. Agora, sou eu e o passo em frente. Por isso mesmo, hoje eu gritei “Ok!”, e eles gritaram “Ok!”, e a dor e alegria, em uníssono, gritaram “Ok!”. O medo veio à baila, a ternura brotou dos olhos chorosos, mas controlados. As gargalhadas esconderam a sensação de perda; a perda escondeu a noção de liberdade e a liberdade encobriu o passado e a solidão. A vida, agora, é para viver e é um ganho de uma maneira que só a imagem percepcionada pelos meus olhos poderia melhor clarificar. A perspectiva que temos quando o mundo se parece transformar num berlinde, naqueles abraços apertados contra o peito, abraços que agradecem com sofreguidão o rumo que podem, finalmente ter, puxa-nos a imunidade sentimental e solta pensamentos que nos engrandecem e que, mesmo que só por alguns instantes, nos torna melhores e maiores pessoas.
Costuma-se dizer que o perfeito é inimigo do bom. Fiz e refiz o video e no fim, não ficando perto de como queria, nem sendo, sequer, um video discritivo é, pelo menos, simbólico... .
. Um ano de acasos mas, dificilmente, um ano ao acaso. Não que seja muito adepta do que chamamos de “destino”, propriamente, mas é difícil não me debruçar sobre o assunto, de vez em quando. As vezes, caminhos conduzem-nos a encontros, despropositados, inusitados, estranhos, novos, e ao bater de frente com aquilo que não conhecemos, que nos dá comichão nas ideias e sentires, surgem as dúvidas, as perguntas e, quase sempre, as tentativas de explicação para tais acontecimentos, aquelas conjugações contrafactuais “e se” para qualquer circunstância, quadros abstractos, filmes alternativos para realidades concretas, devaneios de razão (sem razão), encandeamentos a preto e branco para vivências que só de muitas cores se podem fazer [é curioso sentir que, mesmo ao perder os limites, os limites nunca se perdem de nós e, a um determinado nível, impõem-se sempre, mais que não seja, em consciência]. Sim, a tendência é, inevitavelmente, a procura de porquês, justificações para tudo o que acontece, mesmo que as vezes a única justificação sejamos somente nós e as circunstancias. Até porque eu também acredito em coincidências, mas bem...isso são outras discussões(!) Bem, na verdade, é-me difícil fazer retrospectivas quando tanto espaço há, sobre onde debruçar o pensamento, tanta nostalgia em cada momento passado, sozinha, a dois ou em grupo. Tantas sensações misturadas, tantas emotividades, tantos acontecimentos… Este foi sem dúvida um ano de mudança e desafio pessoal, de procura, de conquistas, mas também de algumas quedas – duras – mesmo que muitas aprendizagens tenham sido oriundas, também, desses tropeções na vida. Se pensar humildemente sobre o assunto, percebo que sou demasiado teimosa no que diz respeito a erros. [Erros enquanto dor, sobretudo]. Acabo por cometê-los mais do que uma vez tendo consciência de que o são e nem por isso deixo de actuar. Este ano não terá sido excepção. No entanto, não existe nenhum arrependimento em qualquer dos percursos, afinal, foi o meu percurso, é a minha história. E é, como é, ou como foi, como sou. Até porque, como ouvi algures, por estes dias, as vezes as decisões mais acertadas na vida, são erros crassos e, ainda que paradoxal e, de certa forma, absurdo, não consigo deixar de sentir esta afirmação, como verdadeira (até porque o absurdo começa a ser, cada vez mais, subjectivo). Bom, mas continuando…Estes dias, semanas e meses foram, então, a constituição de mais um ano para me acrescentar vivências importantes ao alforge, o que trazemos às costas…mas não foi “só mais um ano”, foi um ano de pormenores, dilatados, imensos, derradeiros até. Em tão pouco tempo, algumas sensações tiveram tão alto como nunca antes, sejam elas boas ou más. Conheci algumas pessoas da minha vida [espero que para lhe darem também continuidade], pessoas que me alargaram horizontes, me fomentaram questões, que me trouxeram respostas e que, sobretudo, me ajudaram a conhecer-me melhor. [Contigo, S., e porque seria impossível não me dirigir a ti, em particular, percebi, vivi e aprendi um aglomerado de sensações que, provavelmente, nunca vou conseguir explicar convenientemente e das quais, presumivelmente também, não tens consciência. E não é uma crítica, é também um agradecimento – mesmo que nem sempre ele seja necessário, outras vezes, de facto, é]. Conheci realidades novas, ideias novas, perspectivas novas. Fiz coisas que julguei que nunca faria. Disse coisas que julguei que nunca diria. Agi melhor, agi pior. Mas agi. Felizmente, há uma segurança maior para esquecer o peso da razão em algumas circunstâncias que me prendiam (apesar de saber que muita coisa há, ainda, por fazer e desconstruir). E por falar em peso, muitos me saíram das costas. Porque a metamorfose este ano foi, mais do que simbólica, literal. E foi importante. Porque pequenas coisas redimensionam as maiores e porque o mundo tem todas as janelas, por onde espreitar, quantas consigamos imaginar. E porque este ano o meu olhar se debruçou sobre novas e velhas paisagens com outros olhos, com outra vida, com outro amor e outras vontades. Porque locais, “não lugares” de todos os dias, se tornaram momentos, meus, espaços de extensão do corpo e das ideias, fotografias de dentro, como se fosse possível naufragar pelo “eu” em locais de multidões. E se é verdade que cada pessoa é um mundo [e este foi um ano de troca, por excelência], o meu está certamente muito mais alargado, enriquecido e até, fortalecido. Com isto, porém, é de referir que, além das novas aproximações, houveram também reaproximações, fortalecimentos para renovar momentos partilhados, que não se esquecem nunca. Aqueles que realmente nos tocam (e a quem tocamos), estão sempre presentes, mesmo que as vezes com alguns silêncios, seja como for, é bom saber disso, mais de perto. E agora, claro, houveram também perdas, certezas deflagradas, mágoa e muitos apertos no peito, falta de ar e lágrimas. Tem piada a questão das lágrimas. Houveram muitas, este ano, partilhadas também com pessoas que à um ano atrás nem sequer conhecia e, por outro lado, com outras com quem nunca tinha havido espaço para essa abertura. Mandar mais "para fora" também foi positivo e sim, este foi sem dúvida um ano de "pessoas" e partilha, de abertura, permeabilidade e confiança (mesmo até que esta possa ter sido deflagrada, em alguns momentos, existiu com muita força). Well, well, well...e agora poderia continuar a debitar sobre acontecimentos vários porque os houveram, a perder de vista e relevantes, sobre os quais pensar e debruçar, mas acho que essa continuidade de reflexão fica para ser feita por dentro, até porque os espaços de silêncio, connosco, são fundamentais e indispensáveis. Seja como for, bom, como disse a uma pessoa da minha vida, já que estamos em começo de algo novo, o mais importante é que, quando algo começa, em princípio, tudo está em aberto. Portanto, boas entradas a todos! Obrigada àqueles que fizeram deste ano, um ano tão cheio e tão intenso. Adoro-vos.
Sunday, November 25, 2007
Há ligações que não se vêm - camuflam-nas a neblina e o cinzento que existe, nas multidões, sem rosto, pela cidade. Assim são as teias que se constroem ao acaso, sem dinâmicas de rotina nem achegas de proximidade [ou longitude], sem paralelismos forçados com a verdade [ou a ideia que temos dela], sem prisões à cadência emocional e social do mundo, sem [falsas] moralidades nem cores saturadas, sem preciosismos descartáveis nem motivos aparentes, sem preconcepções, sem conceitos nem definições. Há construções de arquitectura frágil, sem pilares de segurança, nem portas ou janelas para fechar – ou abrir. Ainda assim, erguem-se, criam lugares e roubam sorrisos!
Já chega do fanatismo do tempo, da rigidez das ideias premeditadas a todo o instante. Sussurros derrubam ideologias mais fortes que castelos. Ainda há vontades, por vezes, mais intensas que o medo.
Sunday, November 11, 2007
[ambiguidades e parapeitos...
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Talvez um bloqueio, nem seja bem o das palavras, que não saem, mas daquelas que não existem e, portanto, não surgem. Os conceitos, mesmo os que se expandem para além de nós, as vezes, são fechados o suficiente para não caberem por dentro, rasgarem e assim bastarem. (Nem é tanto da ciência, mas...) Na tentativa de enquadricular a vida resultam sempre espaços em branco e muitos estalos de tinta - o tempo faz-se de demasiadas concavidades para ser ignorado a pintar paredes; e os espaços em branco, das entrelinhas e de tudo o que não é geométrico, decoram o que naturalmente se perde pelo eco de paredes e do silêncio. Resíduos de tranquilidade. Esquiços de vontade.
Até porque, secalhar, indo ao fundo, perder a consciência nada mais será que um simples encontro de sentidos, apurados, num libertar superegoico para os momentos, como um aperto de mão que se dá na rua a um estranho e como um abraço que se troca sem pedir licença.
Afinal, se como dizia Florbela “ um dia serei pó, cinza e nada, que seja a minha noite uma alvorada, que me saiba perder…para me encontrar”. Não é que explique ou simplifique, mas pelo menos assume, conforta e ampara.