Sunday, June 17, 2007

O motivo pelo qual eu gosto de psicologia e resolvi seguir esse caminho é, talvez, menos obvio para mim de vez em quando. Outras vezes, como agora, enquanto estudo para uma frequência, torna-se claro porque não poderia ser qualquer outra coisa.
Já me tinha esquecido como este senhor me fascina e de como sabe fazer da psicologia um mundo tão mais interessante e menos rebuscado...
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"Como quase tudo o que subjectivamente nos comanda são desejos e crenças, se agora me perguntassem se acredito em alguma coisa, responderia que sim: no amor e no progresso. Sem sombra de mentira! A minha fé é no Homem.
E se quero algum poder? Sim: o de ser ouvido quando peço a atenção. É só esse, em suma, o que toda a gente quer - do nascimento à morte.
Tão simples como isto: que tenhamos o direito a existir - cá fora e na mente de quem gostamos. Isso não é mentira; é toda a verdade e só verdade."
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Coimbra de Matos in "O poder da mentira e a mentira do poder"
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Não se trata de uma tentativa de "poetização", mas de uma forma menos sintética e minimalista de falar em patologia, quando acima de tudo, os patológicos, são pessoas.
Poucos, além de Coimbra de Matos falam em amor, em vez de doença; cuidam em vez de tratar; são imunes, sem deixar de ser humanos.

Friday, June 15, 2007

| metamorfose |

Tenho escrito sobre a noite, sobre o que ela me faz sentir e de como reflecte o que sinto.
Tenho escrito de noite, sobre a noite.
Tenho tido tempo e não tenho tido tempo nenhum. Tenho-me desdobrado, tenho tentado controlá-lo. Não tenho controlado nada.
Passou o tempo dos minutos, das horas e dos dias nos dias e tenho escrito, mas não tenho escrito nada.
Tenho ouvido, não tenho escutado, tenho olhado mas não tenho visto, tenho tocado com falta de tacto, tenho ignorado, tenho evitado, tenho calado.
Tenho feito tudo e de tudo, nada se tem construído.
Tenho sido assim, aos bocadinhos, aos empurrões, sem vontade, discreta e sossegadamente…
Mas hoje não!
Hoje escutei e vi, hoje li e soube-me bem. Hoje ouvi musica, a que eu quis, hoje ri com vontade e dormi pouco, mas dormi bem, dormi na cama.
Hoje o dia esteve cinzento, mas hoje, comecei a metamorfose.
14 de Junho (5ª)
20:45

Monday, June 11, 2007

[Extensão]

Como se guardam os momentos?
Certo dia disseram-me que os melhores instantes da vida, não se emolduram, guardam-se em todo o corpo, na pele, no olhar, nos sorrisos, no coração...
Disseram-me que essas coisas, que se guardam e se amam com a nossa elasticidade corporal, podem também transborda-la depois ou ao mesmo tempo. Da pele das mãos, no toque, passa para as mãos dos outros e das mãos desses outros, ou das nossas, passa para as coisas que gostamos e para tudo que fazemos.
Do olhar, quando olhamos o mundo, e dos sorrisos, quando sorrimos dele e para ele, abraçamo-nos e aconchegamo-nos nessa entrega, expandimo-nos e ficamos maiores…
Finalmente, do coração [com o coração], somos frágeis e captamos a fragilidade e doçura das coisas, sentimos e tocamos o que a pele não alcança e os olhares e sorrisos só reflectem. Com essa bombinha, que trazemos ao peito, amamos e gostamos do que nos rodeia, partilhamos e recebemos afectos, crescemos e tornamo-nos mais fortes.
Nessas trocas, portanto, reflectem-se as marcas dos momentos que nos constituem e ficaram guardados no corpo, lembrados no corpo, mas que se estendem para além dele, sempre, nos lugares, nas pessoas e nas histórias que vamos contando, encontrando e vivenciando ao longo do tempo.
Se a vida é um ciclo então, como aprendemos na escola, só a concebo cíclica desta forma. E se os momentos se podem guardar, de alguma maneira, só se for deste modo, pela troca e pelo pedacinho de nós que fica em todas as coisas, em todos os espaços, e em todo o tempo, pela vida fora.
Assim o é, com tanta força, que ao pensar nisto, em conclusão, pelo meu braço sinto o abraço dos que o partilharam e o sentimento com que o fizeram. Ao fechar os olhos consigo até sentir–lhes o cheiro e lembrar-me da cor desses momentos, as vezes vermelho, outras vezes azul, outras vezes até, o arco-iris. E sei que o que sou e o que são, já não é tão-somente só o que sou e o que são, mas sim já uma extensão do que somos, do que fomos e de tudo o que podemos vir a ser.
O mundo inteiro é um momento e é nesse instante que estamos todos ligados.
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O sentido e a qualidade não faz falta. Hoje não.
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Saturday, June 9, 2007

O silencio

"O silencio, deixa-me ileso, e que importancia tem?
Se assim, tu ves em mim, alguem melhor que alguem..

Sei que minto, pois o que sinto, não é diferente de ti
Nao cedo, este segredo, é fragil e é meu.

Eu nao sei...
Tanto, sobre tanta coisa
Que as vezes tenho medo
De dizer aquelas coisas
Que fazem chorar.

Quem te disse, coisas tristes, não era igual a mim.
Sim, eu sei, que choro, mas eu posso, querer diferente pra ti...

Eu nao sei...
Tanto, sobre tanta coisa
Que as vezes tenho medo
De dizer aquelas coisas
Que fazem chorar.

E nao me perguntes nada
Eu nao sei dizer..."

Sunday, June 3, 2007


Palavras para não dizer nada, bastam! Faltam aquelas que dizem tudo…
[aquelas que não existem].
Faltam-me as palavras e o gesto dos braços, nos abraços.
Falta o impulso. Faltam as certezas, sobra a razão.
Perdemo-nos, no que se tenta dizer, ganha-se, no que não se diz, no que não se sabe dizer, no que só se entende. Vencemos pela emoção, pelo que fala o coração.
E estou aqui, onde há o medo e a vontade, onde há o que se guarda e se despe o que não se quer mostrar, onde se molda o outro e a figura, a nossa.
“Faço do tempo um parapeito” onde existes tu e a tua insegurança. Onde existo eu e as minhas mãos trémulas. Onde existem as ideias que já não se escondem nos sorrisos, onde caem no chão, onde são frágeis.
E aquilo que só se vê por fora, mostras-me por dentro, partilho por dentro, sinto por dentro, sou por dentro.
E tudo fica melhor quando estamos juntas.E nada muda e tudo muda.
Falo de ti e de ti. Falo para nós, por nós.
Falo da nossa metamorfose, falo de amizade…
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Friday, May 25, 2007

Portanto...

A música confunde-se com as cores e nas cores se reúnem os afectos, as vontades e até, as acções. Nela, ao seu ritmo, trocam-se momentos, afinidades, jogam-se olhares, mistura-se o corpo e solta-se o espírito “como se não houvesse amanhã”. Mas a verdade, a existir, é que na melodia [e contigo], é como se não interessasse o amanhã, mesmo que exista, mesmo que até saiba ou consiga ser melhor.
Fica-se assim, em plenitude, onde instantes se constroem de instantes - trazes - e pensamentos materializam saudades - levas-me.
Torno-me óbvia e transparente, transpiro o que se passa por detrás dos olhos, que reflectem, e já não há máscara que disfarce o que não dá para disfarçar, já não há quem não veja o que só se consegue ver e já não há razão que racionalize a emoção.
Agora, mesmo perdida na complexidade do sentimento escrito, ecoa sempre esta vontade, simples, que o sustém. Esta vontade por onde, em cada palavra que sai pelo teclado, ou por cada uma que fica presa num momento calado, surges tu perante o imenso branco das folhas, para as encher e torna-las também tuas.
Mesmo que enrole ou que tropece, a gramática não me deixa fugir das frases que terminam incessantemente em gosto de ti… e gosto de ti porque as frases continuam a não saber dizer outra coisa.
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...a modos que [já não] depende do ponto de vista!

Wednesday, May 9, 2007

Infinito

A vida é feita de acrescentos!
Do ponto final fazem-se as reticências, das palavras fazem-se frases, dos segundos fazem-se os anos, de gotas fazem-se os mares, dos gestos fazem-se os actos, de silêncios faz-se o eco, de pensamentos fazem-se ideias, do espaço faz-se o lugar, de bocas fazem-se os beijos, de braços fazem-se abraços, de paixões fazem-se amores, de pequenos fazem maiores, de nós faz-se o mundo.
Se de nada se faz tudo e se tudo é cheio de nada, acabemos com a hipérbole, o âmago está no pormenor.
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A vida é feita de acrescentos ou a vida vive em acréscimo?